segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SW 10 - 8 Agosto

Mondo Cane de Mick Patton
Um concerto que acertou na mouche no festival Sudoeste, onde o second degree é a única forma de sobrevivência e de manutenção do nível limite de sanidade mental.
Fatinho branco, muita brilhantina, um bigodinho que não lembra a niguém, e aqui temos Mick Godfather Patton a fazer-nos viajar no ambiente de um hipotético filme de Kusturica sobre a mafia siciliana, através da fusão de um megafone com um violino.
O mundo estava a precisar disto.
Eu não.


Beirut
Ainda os técnicos de som preparavam o terreno e já se gritava no palco secundário mais cheio do planeta. Zack Condon podia vir-nos cantar os parabéns a você acompanhado de uma bilha de gás e seria aclamado, mas decidiu abrir com o magnífico Nantes. E a partir daí já não me lembro de mais nada, mais admirada que os já muito admirados Beirut, com tanto entusiamo. O público exaltado conhecia de cor as letras, cantava os sons da trompete, dançava com o acordeão, encorajava o piano, saltava com a bateria. Houve quem tivesse proposto Elephant gun para hino de Portugal, nada nos poderia ter preparado para o que se passou naquele palco.
A organização deste festival ou tem muito sentido de humor ou é completamente inconsciente... 


Air

Massive Attack

Mlle_Carla (post em construção)

SW 10 - 7 Agosto

Friendly Fires
Muito longe da imagem dandy dos videoclips, o britânico Ed Macfarlane, incendiou o palco secundário de um já muito quente dia, revelando-se um verdadeiro e furioso animal de palco. Com uma dança sensual de meter inveja à Shakira e muita, muita vontade de dar uma verdadeira razão de ser a este dia de festival, Friendly Fires acelarou muita batida cardíaca.
O concerto arrancou com um enérgico LoveSick, seguido de um Jump in the Pool desarmante. Ed promete-nos festa e cumpre. Salta para o meio do público, não para um banal crowd surfing, mas para dançar com que mereceu, ao som de uma batida irresístível (Thanks Jack !) , posso dizer que dancei literalmente com o muito suado e contagiante Ed Macfarlane.
True Love, seguiu-se de um muito saltado Skeleton boy.
It´s hot, so Hot in Portugal
As pingas de transpiração saltavam, mas ao meu lado saltava-se ainda mais quando começou In the Hospital.
No hiper ritmado Kiss of Life, temi ficar afónica, ao meu lado havia quem metesse a a mão à garganta. Mas sem piedade segui-se um frenético On Board. O golpe de misericórdia ficou para o fim com um histérico Paris, com o grupinho da frente completamente extasiado. And every night we'll watch the stars / They'll be out for us.
Encore sem saída de palco, por aqui, não há cá descanso nem mudança de camisinha.
Ex Lover fecha um concerto fe-no-me-nal que não passou despercebido para quem esteve na Herdade da Casa branca para ouvir música.
Oooooh kiss of life


Bajofondo
Depois do arraso no palco secundário, dirigi-me a medo, ao que estava prometido neste muito peculiar cartaz e infelizmente não entrei em coma alcoólica, pelo que fui transportada ao Festival do canal Panda, com o patrocínio de Mika.
Sentada no chão, cabisbaixa e deprimida com tanta felicidade cor-de-rosa, já não estava à espera de nada para além do pó. Do pó viémos, ao pó voltaremos. estou a referir-me ao parque de estacionamento, que proporcionou muita gargalhada com mensagens deixadas nos vidros dos carros.

E de repente, LUZ !

Ao princípio, olha e parecem os Gotam Project, depois, olha que não, são muito melhores, para finalmente perceber que este grupo originário do país do Tango, estava-nos a levar ao mais original, vibrante, arrepiante e completamente inesperado momento da noite. O público que se ía juntando, ía começando a dançar, a girar, a saltar, as caras a formar um largo sorriso genuíno. Bolas que até estou a ficar com pele de galinha ! Foi preciso vir um grupo da Argentina e do Uruguai para nos lembrar que a música também pode trazer felicidade, daquela que está mesmo muito cá dentro. Sortudos e abençoados os que invadiram o palco e abraçaram esta boa gente.
Estou a exagerar ? Este último parágrafo é particularmente ridículo ? Cliché ? Kitsh ? Ide correr ouvir, é tudo o que vos digo.
Amen, aleluia ! 

 

Mlle_Carla, depois da traversia do deserto, em estado de graça

sábado, 7 de agosto de 2010

SW 10 - 6 Agosto

Lykke Li
Foi a razão de vir este dia à Herdade da Casa Branca, mas não estava à espera de assistir a um momento tão forte e explosivo.
I´m good, I´m gone arrancou as primeiras emoções fortes desta noite, com um fumo branco que nos levou para um mundo distante, mesmo muito longíquo do imenso mar previsível e pouco empolgante do cartaz do dia.
Sons como o singelo Dance, Dance, Dance foram transformados com uma forte percurssão, uma presença de palco sensual e enérgica, quebras no momento certo e muita mestria na arte de surpreender, mesmo os que conheciam de cor o albúm Youth Novels.
O excelente Breaking it down foi-nos apresentado na sua versão alternativa (de que já tinha falado num post anterior) com uma Likke Li teatral, em botas de salto improvável e um vestido-capa negro, um xaile por vezes a tapar a cara, durante uma dança frenética, como foi o caso na performance na Hanging High, e uma expressão de quem está mesmo a sentir a música. Expressão que se contagia nos restantes músicos e na maior parte dos que estiveram no local certo desta noite.
Uma surpresa com uma versão de ready or not dos Fudges com a cantora de apoio, numa dança inesperadamente sexy, encaixou na perfeição, mesmo para quem não é fã do género.
O Little Bit ganhou uma nova dimensão ao vivo e conquistou o público mais céptico que respondia ao sinal e forma de coração que Likke Li enviava.
No final um sentido falling down terminou discretamente, com um beijo de despedida, esta nuvem de êxtase. Estávamos de volta à terra, cruelmente, sem um desejadoe necessário encore.
Tivémos ainda direito a duas canções nunca antes tocadas. Em baixo nos quadradinhos do youtube, Bónus extra !



Um das duas excelentes músicas novas, tocadas pela primeira vez em público :



Uma pequena amostra da estrondosa versão de Dance, dance, dance :


De resto, foi andar a correr, primeiro para fugir da neo-zelandesa Ladi6, muito contente por aproveitar o Verão e as praias de Portugal. Ao menos alguém satisfeito.
A seguir correr ainda mais depressa para escapar aos melos durante James Morrisson. E, finalmente, já estando por tudo, aterrar na tenda na mesma altura dos Nu Soul Family. E aqui, seria preciso ser muito snob para não admitir que estes, ao menos, sabem animar e motivar multidões, participar nos Da Weasel foi sem dúvida uma grande escola. Um momento para homenagear António Feio, ao som de Celebrate da Madonna... Depois ainda tivémos um Jamiroquai, com as músicas do costume, o tal chapéu de indío e muita sopa na maneira de apresentar mesmo os sons mais interessantes.

Mlle_Carla, directamente da praia do Carvalhal

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

SW 10 - 5 Agosto

Groove Armada vieram ao socorro de um dia de festival sabotado por M.I.A. e os The Very Best explicaram-nos faixa a faixa porque é que se chamam assim. The Flaming Lips merecia outro post à parte, outro festival, outro público.

The Very Best
Como esperado, o som do Malaui, invadiu a tenda, com a voz e simpatia de Esau Mwamwaya e com um MC vindo directamente da África do Sul para nos mostrar para que é que servem os MCs, para nos fazer vibrar, pular, gritar. Duas dançarinas, ainda vieram contribuiram para entrarmos no calor desta fusão de sucesso afro-europeia.
A tenda encheu rapidamente, para se transformar numa imensa e enérgica festa a lembrar os Buraka Sound System, mas desta vez, só com os hits e sem momentos repetitivos e longos.
Julia fez o público aquecer, o Warm Heart of Africa contou com a voz gravada dos Vampire Weekend, e no final, escolhidas pelo MC, houve quem subisse ao palco.
O melhor desta tenda, esta noite, sem dúvida. Depois de uma Rye Rye, com a energia e a repetição perfeitas para uma aula de aeróbica e um Marcio Local profissional, mas sem originalidade, com música brasileira daquela que já se faz há 20 e ainda não evoluiu.


The Flaming Lips
Vieram depois de uma Maria Gadú igual a umas 40 que o Brasil exporta por década e uns Bomba Stereo, liderados pela colombiana e com certeza atleta, tendo em conta o que ela correu no palco, Liliana Saumet, que bateu mesmo ao lado do que estávamos a precisar...
E finalmente ... entrámos no fabuloso cérebro de Wayne Cayne, numa viagem psicadélica, surreal e humorística.
Come on, come on, come on ! Incentivava rápida e nervosamente Wayne a um público que andava ali a ver passar as bolas gigantes que lhe enviavam do palco. She don´t use Jelly, she uses vaseline chegava-nos genialmente acompanhado de umas alminhas perdidas saídas do público e vestidas de cor-de-laranja, sem saberem o porquê de estaram ali, mas afinal onde está a Britney Spears ?
Surreal, mas tão sarcasticamente divertido...
Tentou-se, e conseguiu-se, reacção ao pedido  mais ridículo da noite, uma espécie de singalong ao som do She said I can be a motorcycle ... na parte do monkey insistou-se e o público imitpu o som de um macaco, de um leão, da brisa do vento ... muito bom ! ... para quem está de fora ...
Come on, come on, come on, we have two songs left.
Final com Do you realize, that you have the most beautiful face ? nariz ampliado de Wayne no écran gigante a trás, confettis, fumo, bolas, tudo.
Tudo.

M.I.A.
Até pensava que gostava de M.I.A., agora já não sei de nada. Há concertos que nos impressionam pela negativa, há fraudes e depois há o concerto da M.I.A.
O momento musical mais interessante foi quando ela fumou um cigarro de alguém do público.
DJ e MC sem interesse, bailarinos idem
Até o Paper planes foi desprovido de interesse, com a M.I.A. em cima de um desgraçado assalariado, a canção toda, sem conseguir cantar melhor do que o senhor das farturas.
E sim, ela ofereceu tequilla e fez crowdsurfing e esteve muito perto dó público... uma boa festa de garagem nos subúrbios...

Groove Armada
Já suspeitava que podiam salvar até o Titanic, mas fizéram ainda melhor salvaram um dia de festival em naufrágio. Entráram com a promessa de um I see you baby, mas optaram por nos apresentar, e muito bem, o novo albúm Black Light, com dois vocalistas à vez, e muito, muito bons.
Na herdade, reconheceu-se e gritou-se whenever I´m down, I call you my friend, seguido de um excelente solo de trompete de Andy Cato. Mas o pó que até agora esteve escondido debaixo da erva, soltou-se no encore com Superstyling.
Uma armada invencível !
Thanks !

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SW 10 - 4 Agosto



DJ Zé Pedro
O Zé Pedro, quando não anda aos pontapés, é um animador simpático, que diz adeus aos festivaleiros e fá-los saltar. Bom para lembrar o ambiente das festas à noite na escola secundária, que se passavam na cantina. Do Beat it do Michael Jackson, aos Queen, passando selvagicamente pelos Rage against the magine, ele ajudou a provar que o recinto está pronto para os saltos, nada cai e nem há tanto pó quanto isso. No final o sinal dos braço cruzados. Tchau, Zé Pedro, até à próxima feira lá da terra  !

2ManyDJ
Desde a minha primeira vez na Eurodisney que não me divertia tanto. E nem sequer me estou a esquecer do simulador do Star Wars - Pura diversão dos remixes e passagens geniais.
Com a inteligência original de se usar palavras chaves para passar de som, dos Money, Money dos Abba a todas os hits com este título (faltou o Billy Idol, é verdade!), com os Gossip a cavalo da Chaka Kan e do "Stardust" dos Daft Punk, com a dica do reggae "I'm gonna take you to outer space" a passar para o "Outer space" dos vibrante Prodigy, tudo acompanhado por um video feito por encomenda, com imagens excelentes, a contar a epopeia do set memorável de ontem à noite. O melhor trabalho de VJ de uma vida. O mais genial set de todas as noites.
Fim apoteótico com confettis amarelos com o love will tear us apart, de vocês sabem quem.


A pista já abriu, podem vir !

Mlle_Carla, a ir para a praia de Almograve

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lykke Li no Sudoeste

Lykke Li é a prova que as loiras não são necessariamente burras e que da Suécia, para além de nomes que nunca de lá deveriam ter saído como os Ace of Base ou os Roxette, também se exporta boa música, Isn´t det*, Peter Bjorn and John ? E não, não me esqueci dos que fizeram a Mamma Mia...
Youth Novels é o único album de Lykke Li, que entre algumas faixas simpáticas, tem outras fantásticas e que já foram descobertas pelos médias e transformadas em EPs "I'm Good, I'm Gone", "Breaking It Up" (piscadela de olho com sorriso para a versão alternativa) e "Little Bit".
Tem um site feito e actualizado como um verdadeiro site, com um blogue, dowloads gratuitos, fotos, histórias e fácil de encontrar, mas mesmo assim eu ajudo, é ir ao http://www.lykkeli.com/
Com a Lykke Li, o que é fácil é fazer como ela diz : dance, dance, dance !


*"Não é ?" em sueco. Adoro o programa translate!

Mlle_Carla, adivinhem a fazer o quê ...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cover "Pursuit of Happiness"

Caça à felicidade. Todos os anos sucumbo a vários vícios – fatalidade de quem se assume obsessiva e pouco interessada em oferecer-lhes resistência. Entre os muitos vícios de 2009, houve um que, numa especial proclamação de espectacularidade, resistiu, desde finais de 2009 a meados de 2010, ao massacre das audições diárias – meu Deus, que há drogas mais duras que outras. Diz que se chama Pursuit Of Happiness, é de Kid Cudi, e conta com a gloriosa participação dos MGMT e dos Ratatat, resultando numa obra cujo sucesso se deve, até aposto, à miragem do título. Na minha habitual incompetência para textos sobre música (que se emaranham na minha cabeça ad eternum sem nunca verem a luz do post), a dita maravilha ficou por publicar. Curiosamente, chega hoje a pretexto de uma cover. Não se surpreendam se musicalmente vos soar ao mesmo, pois é na interpretação que se afirma a diferença. O tom grave e cool do original transforma-se num agudo grito feminino («elas gritam melhor», dizia ele, julgava eu) e substitui a confiança na redenção pela esperança desesperada. Não me censurem por acabar a pessoalizar a questão – é que não há outra forma de cantar «I’ll be fine, I’ll be good», senão como quem quer desesperadamente acreditar em si própria.


(Reparem do pormenor da t-shirt)




Este post é da inteira responsabilidade da Menina Limão

terça-feira, 27 de julho de 2010

Kele Okereke,The Boxer


The Boxer (não, não é o fabuloso Boxer dos The National) é o primeiro trabalho em nome próprio de Kele Okereke, o difícil, controverso ou, há quem diga, tímido vocalista dos Bloc Party. 'Tenderoni', o primeiro single, é mais dançável e electrónico do que esperava. Gostei. 'Everything you wanted' mais Bloc Party, talvez pela expressão e exploração da voz de Kele, segue outros caminhos. Também gostei. Quem gosta mais do início de Bloc Party pode sentir a falta do vigor de temas como 'Helicopter' ou 'Banquet', mas têm também faixas mais calmas e outras mais dançáveis. Neste 'The Boxer', há um bocadinho de tudo. Em baixo há um Kele comovido até às lágrimas.


IndieAna, em searching a kleenex mode

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Karmacoma / Jamaica in Roma no Sudoeste

Se há post que não pode ser feito de ânimo leve, este, sobre os Massive Attack, é um deles.
Tudo começu em Bristol, que no início dos anos 90, deu-nos o melhor que tinha a dar, em termos de emoções obscuras carregadas de downtempos e downbeats, a serem vividas na intimidade de um quarto com portas fechadas. Nasceu a trip hop, dispararam os êxitos dos Portishead, do Tricky (ex dos Massive) e dos Massive Attack.
Actualmente ele são "3D", aka, Robert Del Naja e "Daddy G", aka, Grant Marshall e são, sozinhos e sem mais palcos ao lado, por si só, uma boa razão para apontarmos a nossa bússola a SW.
De cada albúm que lançaram, saíram no mínimo 2 hits interplanetários que darão com certeza vários grandes momentos no festival que se avizinha.
Do Blue Lines, todos conhecemos, ao menos o unfinished sympathy, com a Shara Nelson. Do album Protection, ninguém escapou ao Protection (com a Tracey Thorn dos Everything but the girl) e muito menos ao Karmacomma. Do album Mezzanine, todos admirámos o feto do vidéoclip de Teardrop e do 100th window impressámo-nos com a voz de Sinead O´Connor no Special Cases. Recentemente, do albúm Heligoland, os mais atentos, não perderam pitada do fabuloso clip de Paradise Circus, realizado por Havotro.
Num concerto sem as vozes originais, mas com a força e genialidade massiva, do som Attackiano, as expectativas são altas. A ver vamos.

Entretanto, deixo-vos com o óbvio Karmacoma. Massive Attack aqui ainda com Tricky :


Discografia : Blue Lines (1991), Protection (1994), No Protection (1995),  Mezzanine (1998), 100th Window (2003), Danny the dog (2005), Splitting the Atom (2005), Heligoland (2010)


Site oficial : http://www.massiveattack.co.uk/

Mlle_Carla
Like a soul without a mind
In a body without a heart
I´m missing every part

The Very Best no Sudoeste

Os "melhores" são os DJ/produtores ingleses Radioclit e o malawio Esau Mwamwaya. Juntaram-se e só podiam dar nisto, num very best mix entre o ritmo africano e a electrónica inglesa. Se é verdade que a fusão entre os sons afro e uma sonoridade mais ocidental, está longe de ser original nos dias que correm, também devo admitir que os The Vey Best conseguem-nos trazer um som refrescante, com personalidade própria, que nos leva a dançar sem sensações de déjà vu ou déjà entendu.
Neste festival ao pé da praia, são muito bem vindos e assentam-nos bem como a ideia de um refresco on the rocks no final de um dia quente de praia e de ritmos.
Tropeçámos já neles, de vez em quando, a colaborar com a M.I.A. (com a Rain Dance), os Vampire Weekend (Warm heart of Africa com Ezra Koening) , os Architecture in Helsinki e o Crookers (no albúm Tons of friends).

Então, vamos dançar ao ritmo malauiano ? A setinha no quadradinho em baixo leva-nos ao Malawi, com a ajuda dos Archicture in Helsinki.


Discografia : Esau Mwamwaya and Radioclit are the Very Best (2008) e Warm Heart of Africa (Moshimoshi) (2009)

Mlle_Carla

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Friendly Fires no Sudoeste

So go and pack your bags / For the long haul / We're gonna lose ourselves / I promise / This time next year will be forevermore / And every night we'll watch the stars / They'll be out for us

Duas palavras mágicas : dança e punk.
Como é que se pode resistir ?
Se juntarmos o carisma dandy, bem humorado e em quantidades generosas deste trio funtástico, muito british, e dos sons que produzem, compreendemos porque é que são tão irresistíveis.
E escolher o quadradinho para ficar aqui em baixo ainda ficou mais difícil do que em Beirut, se é que isso é possível. Se o concerto não for bom é porque o cancelaram, porque com temas como o muito bem programado On Board, o Jump in the Pool, o criativo e sambástico Kiss of live, o Lovesick, o White diamonds ou o Skeleton boy até podem vir coxos, roucos e de costas. Já está ganho !
Mas, please, venham com tudo em cima, que nós aguentamos com todo o fogo que vier do vosso/nosso lado.

Sir, madam, convosco ... Paris :


Novidades em primeira mão : http://www.wearefriendlyfires.com/
Eles são : Ed Macfarlane, 25 anos, vocalista e principal compositor do grupo, Jack Savidge, bateriasta e Edd Gibson à guitarra. E não foi cedo demais que saíram da garagem dos pais.
Mlle_Carla, lovesick of this sound

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Beirut no Sudoeste


Ver Beirut no Sudoeste, é por si só geograficamente difícil, se considerármos que tudo começou no México*, a coisa complica-se e se nos lembrarmos que a música parece-nos chegar dos Balcãs, e que há duas músicas que têm o nome de cidades francesas, corremos um verdadeiro risco de nos perdermos, algures no meio do Oceano Atlântico. E, no entanto, torna-se tão simples, perceber porque é que vou rumar a Sudoeste, porque é que não posso perder este festival.

Algumas razões óbvias :
- Elephant Gun


Nantes :


... pequena interrupção ... tive que ouvir 4 vezes seguidas este som. Fico sempre com um bug, quando chego a "Nantes"...
Cliquot :


E agora podia continuar a fazer incorporações do youtube, mas acho que já deu para perceber onde é que eu quero chegar.

Discografia : Gulag Orkestar (2006) e The Flying Club Cup (2007)

* Onde nasceu Zach Condon, o fundador, vocalista, ukelelista e trompetista da banda

Mlle_Carla, looking for a sunday Smile 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

16º Super Rock 18 Julho

It was Funky time com o Prince. The Soundealers blogue esteve presente num concerto que revolucionou preconceitos, abriu horizontes e forneceu pura diversão em quantidades planetárias.
Em baixo, segue o relato, consciente, que quem não esteve lá, não pode perceber, o porquê de tanto histerismo.
No podium dos melhores concertos desta noite encontra-se também The National, a despertar emoções e coros entusiasmados.
Fraude da noite com os Empire of the Sun.

Stereophonics
A tocar ainda com sol, com um público de braços no ar e aos saltos, bastante numeroso, para esta hora, que vibrou até ao final com Since I told you it´s over.
Não querendo muito falar de logística, o fenónemo Prince, não terá sido bem previsto pela organização, que fez perder, mesmo a quem gosta de chegar no princípio, os concertos que começam as hostes.
Thank you ! Ladies and gentlemen, Mr. Marvin Gaye ! brincou no final, um bem humorado, Kelly Jones. Estava a referir-se à musiquinha do intervalo.


Spoon
Ainda não tinham cortado a musica para entreter e já Britt Daniel arrancava a solo com uma guitarra, o "Mean and the bean". Com uma simpatia e humildade, que fazia apetecer levá-lo para casa.
Já com a banda completa, avançaram com um excelente "Don´t make me a target", com o refrão a ser entoado pelos fãs lá do princípio.
O público não chegou a aderir totalmente a este grupo, cheio de cartas na manga, como o muito festivaleiro e bom "Don´t you Evan". Podia ter sido melhor, mas a culpa não foi de quem estava em cena, que nos deu um show honesto e generoso. Fica para a próxima. Nós é que dizémos, Thank you Spoon !
Já houve quem se adiantou e nos mostra como foi o don´t make me a target ontem, aqui. Vão lá depressa. Obrigada ao fã.



The National
Um ano depois de um grande concerto para três gatos pingados o Sudoeste, The National encontra uma enchente no Super Rock. Com verdadeiros fãs, pelo meio. Um Matt Berninger, autêntico, declara-se grato a esta aclamação. Nós também.
De fato escuro, Mr Berninger, deu-se como só ele se sabe dar, com um generoso e, felizmente, habitual, contacto privilegiado com o público. Uma voz a toda a prova. Uma extrema sensibilidade para as sonoridades que vão sendo distribuídas no palco e muita entrega honesta e pura.
I love you Matt !!
Desculpem o momento groupie, mas tinha que tirar isto do meu sistema.
Momentos altos ? Todos. Músicas velhas, novas, assim assim.
Só para citar, aleatoriamente, o que fez vibrar, um muito cantado pelo público "Fake Empire" e "Apartment Story", um momento de pura pele de galinha com o "About today"
No youtube, já houve quem espalhasse vídeos amadores, ide , eu conto passar assim a minha tarde ! O som não é bom, as imagens são péssimas, mas a essência lá.


Prince
I´m gonna be your DJ tonight
Let´s party !!!!!!!!!!!!!!! Gritámos todos, logo a seguir do som de arranque "Let´s go crazy"
Prince é um nome que promete história, depois de se ver os concertos num ecrã, ficamos com uma ideia que vai haver encenações, algum culto à personalidade, muito groovy e alguma sopa com musiquinhas românticas aqui e ali. Ao vivo, Prince baralha as cartas e tudo o que faz, faz bem, todos os preconceitos caem por terra e mesmo aqueles sons mais à Purple Rain que todos adoram menos eu, transformam-se e adere-se a tudo, TUDO. Mesmo a cantar Hé Portugal 20 vezes, no meio de uma das nossa canções de eleição, Cream. Aderimos. Cantamos o dito hino nacionalista e o pior é que vibramos.
You got the look e 1999. Se eram outras das músicas que marcaram positivamente a nossa personalidade, agora, depois de as ouvir assim tão perto, nunca mais de lá vão sair. Prince, de uma forma ou de outra, contribuiu para o que somos hoje. Está cá dentro, bem mais impregnado do que pensámos, e mesmo que não amemos Deus, amámos seguramente Prince.
Nothing compares to you foi cantada teatralmente em duelo com Shelby J., numa performance onde tudo era estudado e se tocou a perfeição. Pelo menos a perfeição revista por Prince.
Quando me disseram que ía ouvir o fado da Mariquinhas, pensei que estavam a gozar, depois de um cálculo rápido conclui que por causa desta brincadeira não iria ouvir, por exemplo, Alphabet Street. Mas no final (e no meio), uma vez mais, Prince sabia o que estava a fazer. Um dos artistas actuais mais open minded, fez-nos cantar e emocionar com Ana Moura.
I love this country
E nós, que fomos tão habituados tão habituados a piropos neste festival, desta vez, acreditámos, mesmo.
You are so high, it´s better to calm you down
Oh, no ! I´m not going to calm you down. I know what you want
E sabia.
You don´t have to be rich to be my girl, you don´t have to be cruel to rule my world
...
I mais tarde... You don´t have to watch sex in the city to rule my world
yeah ! KISS
Grande final Le freak, c´est chic ! E todos freakámos !!


Empire of the Sun
Estávamos ali, optimistas, depois de um show do Prince, continuávamos expectantes em relação à performance da nova sensação australiana. E até lá estava muita coisa, adereços dos clips, atmosfera galática e muito trabalhada, 4 dançarinas com fatos diferentes para cada faixa, um Luke Steele que até veio abraçar o público e tudo, na área VIP, é certo, mas desceu.
Mas ... não convenceram, pelo menos para quem até gostava do som do estúdio e pensava nums MGMT com mais atitude em palco.
Os Empire of the Sun, optaram por dar uma comédia musical, em vez de um concerto honesto.
Falhou o carisma, a música não esteve à altura, com um grande abuso do sintetizador e um segundo guitarrista que parecia um adorno decorativo. Um pedestral no meio, que pouco mais tinha que um botão de ON e OFF para dar a maior parte do som.
E depois deste live acabei por ficar com a dúvida cruel, de que não precisava. O grupo que fez o altamente recomendável Walking on a dream, do final, é composto por músicos ou é só um produto de marketing a explorar o mais recente filão de ouro da Synthpop-rock ?


Laurent Garnier
Mon DJ chéri, Merci beaucoup, gritamos nós.
Tive tempo para saltar ao som do clássico The men with the red face. Com o DJ que incendiou o palco do clubbing. Com os seus fiéis amigos ao saxofone e à trompette. Houve mais música real, nesta tenda supostamente do tuch tum, do que no palco grande há pouco.
Last night a DJ saved my life, de perder tempo nas filas para sair do parking. Dance, dance, dance, até ao finalzinho !

Mlle_Carla, daqui a pouco vídeos clandestinos e caseiro, voltem mais tarde. Voltem sempre.

sábado, 17 de julho de 2010

16º Super Rock 17 Julho

Hot Chip ! Hot Chip ! Hot Chip !
Vampire Weekend, África, dança e Ska.
Podia ir embora feliz, mas ainda houve um Julian Casablancas cool, mesmo se a faltar qualquer coisa, uma Holly Miranda quase sagrada e um Patrick Watson por quem se ficou a chorar por mais...
A história do crescendo :

Sweet Billy Pilgrim
Uma sonoridade original, leva-nos em peregrinação, pela mão de Tim Elsenburg, armado de uma guitarra.
Doce e calma, por vezes com estranhas opções a 7 tempos ... Melódica, nada pop, dificilmente dançável. Irão sobreviver num festival de Verão ? ... Alguém que lhes sussure a fórmula secreta.
Alistair Hamer, na bateria, jubila com o ambiente  "Nos UK é muito raro um festival, assim, no meio das árvores".
Desfilam Kalypso, Stars Spil out of cups e here will it end, com um extra, um banjo, nas mãos de Anthony Bishop, que domina normalmente o baixo.
E para final, oferecem-nos um Truth only smiles com arranjos rock, 4 tempos, fácil de se gostar. Tudo está bem quando acaba bem.


Tiago Bettencourt
O que dizer ... passagem rápida pelo palco "dos grandes (?)" guiada por uma curiosidade mórbida. Confirmo que não se melhora ao vivo. Olho ao lado em busca da originalidade portuguesa... onde estão os Pop Dell´Arte ?
É só a mim que a voz parece a do Palma ? Que noto uma atitude como a de uma estrela de rock consagrada há 20 anos e um som que, salvo algumas excepções, já se ouviu noutros lados ?


A correr rapidamente daqui para fora, para não perder pitada

Holly Miranda
Quer nos apresente sons do antigo grupo The Jealous Girlfriends, quer do seu novo album The Magician´s Private Library,quer do antigo, ou ainda covers, como foi o caso de " I´d rather go blind" de Etta James, "Nobody sees me like you do" de Yoko Ono (aqui com  referência a um cristal transparente que colocou  ao pé dela), nós ficamos sempre a ganhar.
Entre o espanto do bom acolhimento do público "You guys are so kind" e risinhos timidos, Holly Miranda, deslumbrou com uma voz smoky e poderosa, melhor do que o Youtube tem neste momento, e um som entre um sombrio Waves e os luminosos Sweet dreams e Sleep on fire.


Julian Casablancas
Música do futuro.
Com ou sem Strokes, Julian Casablancas é, sem esforços, o cantor mais cool deste festival, se não da actual cena musical mundial. Quando por curiosidade, desceu a nós para ver o que se passava,porque estava so far away e alguém o agarrou, e não o largava: "Yeah, You got me, you got me" e quando o fã o finalmente deixou seguir com  sua vida "Nice to meet you too".
Como é que se inserem aqui aqueles smiles com sorriso e a piscar o olho ?
Claro que os Strokes são uma urgência, mas enquanto que vêm e não revêm, deixem-nos aproveitar um bocadinho mais. E foi o que fizémos ao som de 11th Dimension, de River of Brakelights, de 4 chords of the Apocalypse e até mesmo da Christmas song, que parece estranha a Julian Casablancas, mas que foi sem dúvida muito delirada apreciada no Meco. Ficámos à espera de encore...
Volta sempre, e podes trazer quem quiseres !


Hot Chip
Hot Chip will break your legs / Snap off your head /Hot Chip will put you down / Under the ground
Eles tinham avisado. Começaram com toda a força que tinham e nós acompanhámos com toda a energia arranjámos. Logo no início, um Boy from School numa versão party animal, seguida pela artilharia mais sofisticada One Pure thought, One night Stand, Warning, Over and Over, desta vez sem se recorrer a técnicas efeitos especiais para viver The Live Gig !
"Sempre a abrir" disse o meu vizinho do lado, sem originalidade, mas coberto de razão.
UUUaaaauuuuu !!!!!!!!!
Hot Chip ! Hot Chip !
We´ve got love
Alexis Taylor de fato branco e t-shirt onde se pode ler YES, com as maracas quando o som o exigia e o público levantava poeira, Joe Godard divertia-se com os beats, Owen Clark não parava quieto e saltava o mais alto que podia, Felix Martin escondia-se, mas nós viamo-lo e o Al Doyle tocava todos os instrumentos que não mexiam e estava em todo o lado.
E mais músicas do novo album, para se acabar em apoteose com um You are all our number one guy 
Do it, do it, do it, do it, do it, do it, do it, do it now.
Say it, say it, say it, say it, say it, say it, say it, say it now.


Patrick Watson
Foi cruel da parte da organização colocar esta banda genial de cabaret pop ao mesmo tempo que os Vampire. Deu para ver um show cortado ao meio pelas pernas que nos puxavam para o palco grande.
Muito bom concerto.
Muito mau não ter assistido a tudo.


Vampire Weekend
Já sabiamos que ía ser assim, certo ? Se já o som gravado certinho num estúdio fechado, já é o que é, só podia dar numa grande festa, muita dança, gargalhadas, bom ambiente, saltinhos ... e pó.
Para quem não conhecia (?) houve instruções para a festa do tema "One" aaaaaaaaaauuuuuuu !
Seguiu-se o Cousins, no final para um fã  "yeah, também queria ser ter primo", depois o A-Punk.
Hei, hei, hei !
Grande êxtase no momento de Holidays, e de Horchata e de ... todo o concerto.
Surpresa, só mesmo a dos Vampire, que já há muito tempo que não vinham cá e não sabiam a mossa que faziam. Claro que não queriamos que fossem embora !!! Despediram-se, mesmo assim, com pena nossa e do adorável nova iorquino Ezra Koening, que ainda nos fez saltar uma última vez ao som de Wallcott



Leftfield
Entre o que se passava no palco grande e na tenda do clubbing com o DJ Ricardo Villalobos a escolha era ser difícil, quem gostava, gostava dos dois, quem não gostava ... ía escrever blogues ... feliz da vida com o que tinha vivido.



Mlle_Carla